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Há Tanta Gente Maravilhosa!: Tão maravilhosa, mas cheia de merda por dentro!

Livro • Literatura

Há Tanta Gente Maravilhosa!: Tão maravilhosa, mas cheia de merda por dentro!

Há tanta gente maravilhosa. Maravilhosa mesmo. Pessoas extraordinárias, humildes, generosas, inteligentes e emocionalmente evoluídas — quase todas prontas a informar-nos disso nos primeiros dez minutos de conversa. Vivemos rodeados de seres notáveis: pessoas que sabem tudo, fizeram melhor, sofreram mais, trabalharam mais e estudaram mais. Se ainda não conquistaram alguma coisa, foi apenas porque não quiseram. Naturalmente. Há Tanta Gente Maravilhosa! Tão maravilhosa, mas cheia de merda por dentro é uma viagem irónica pelos teatros da vaidade, da arrogância, da inveja, da falsa humildade e da necessidade de aprovação. Explora a irresistível vontade de parecermos melhores do que quem está ao nosso lado. Porque há quem não entre numa sala: faça uma aparição. Há quem não converse: dê uma conferência. Há quem não tenha amigos: tenha contactos. Há quem não viaje: produza conteúdo. E há pessoas tão humildes que nunca perdem a oportunidade de anunciar a própria humildade. Ao longo de dez capítulos, o livro desmonta personagens comuns: o currículo ambulante; o especialista em tudo, cuja confiança é inversamente proporcional ao conhecimento; o invejoso que só aprecia o sucesso alheio quando é inferior ao seu; o moralmente superior, sempre pronto a ensinar os outros a viver; e o profissional medíocre que trata os superiores como majestades e os subordinados como mobiliário. Entramos também nas redes sociais, o grande museu da vida perfeita, onde ninguém tem contas atrasadas, relações difíceis ou dias miseráveis. Existem apenas corpos impecáveis, famílias felizes, viagens paradisíacas e pessoas prontas para nos ensinar a viver. Tudo rigorosamente espontâneo. Depois de vinte fotografias. Contudo, este livro não pretende apenas apontar o dedo aos outros. Seria demasiado fácil e bastante arrogante. A verdadeira provocação começa quando percebemos que o vaidoso, o invejoso e o arrogante nem sempre estão na casa ao lado. Por vezes, estão no espelho. Todos queremos reconhecimento. Já tentámos impressionar alguém, comparámos conquistas ou tivemos dificuldade em celebrar o sucesso alheio. Explicamos muito bem os nossos defeitos, enquanto identificamos de imediato os defeitos dos outros. Quando alguém chega atrasado, é irresponsável; quando somos nós, havia trânsito. Quando alguém se exibe, é vaidoso; quando somos nós, partilhamos uma conquista. Curioso, não é? Com humor ácido e reflexão comportamental, Há Tanta Gente Maravilhosa! analisa a distância entre aquilo que mostramos e aquilo que somos; entre autoestima e superioridade; competência e encenação; bondade verdadeira e publicidade moral. O livro não promete ensinar a identificar pessoas falsas em cinco passos. Propõe algo mais perigoso: observar o comportamento humano sem esquecer que fazemos parte da amostra. Talvez a verdadeira grandeza não esteja nos títulos, no dinheiro, nos seguidores ou nos aplausos. Talvez esteja em reconhecer o mérito alheio sem nos sentirmos diminuídos; admitir um erro; dizer «não sei»; pedir desculpa sem acrescentar um «mas»; e tratar da mesma forma a pessoa importante e aquela de quem nada precisamos. No final, talvez exista realmente muita gente maravilhosa. Alguns, porém, acreditam nisso com entusiasmo excessivo; outros ainda não perceberam que podem ser extraordinários sem passar a vida a convencer toda a gente. Quanto à merda que cada um transporta por dentro… talvez seja melhor verificarmos a nossa antes de comentarmos o cheiro vindo do lado.

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